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DPU articula ampliação de atuação no TST em defesa de trabalhadores vulneráveis

Brasília – O defensor público federal Juliano Godoy e o defensor nacional de direitos humanos, Eduardo Valadares, reuniram-se com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, na última terça-feira (24). Na ocasião, discutiu-se o fortalecimento da atuação da Defensoria Pública da União (DPU) na corte trabalhista.
Segundo Godoy, o principal objetivo do encontro foi tratar das atribuições institucionais da DPU no âmbito do TST, com ênfase na atuação como custos vulnerabilis — expressão relacionada à função da Defensoria como guardiã dos vulneráveis.
Essa modalidade de intervenção permite que a DPU atue em processos judiciais para defender direitos coletivos. A atuação ocorre com foco específico na proteção de direitos humanos e na ampliação do acesso à Justiça.
A proposta, de acordo com Godoy, é qualificar o debate judicial e garantir maior pluralidade nas discussões que impactam diretamente os direitos humanos dos trabalhadores. “A atuação seria, principalmente, como amigo da corte (amicus curiae), auxiliando o tribunal com conhecimentos técnicos ou representatividade social em causas de grande repercussão, como temas repetitivos e súmulas, conforme o art. 138 do CPC/2015, permitindo debates mais plurais e qualificados”, explica.
Temas trabalhistas em foco
A DPU poderia participar de debates sobre temas como:
- Terceirização e empreitada: definição da responsabilidade subsidiária/solidária do dono da obra.
- Jornada de trabalho: validade do regime 12×36 com horas extras habituais e trabalho externo sem controle.
- Rescisão indireta: caracterização por atraso no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), dispensando a imediatidade.
- Riscos ambientais: adicional de insalubridade por frio (intervalo térmico) e adicional para carteiros/motociclistas.
- Direitos coletivos: legitimidade dos sindicatos para postular direitos de representados.
- Saúde e trabalho: assédio moral/sexual, exigência de exames discriminatórios e “limbo” jurídico previdenciário.
- Competência: saque de FGTS junto à Caixa Econômica Federal e vínculos estatutários.
Fortalecimento institucional
Ao final do encontro, o presidente do TST manifestou entusiasmo com a possibilidade de ampliar a participação da DPU na corte. Conforme relatado por Godoy, o ministro comprometeu-se a encaminhar recomendação aos demais integrantes do tribunal para que a Defensoria seja intimada a se manifestar como amicus curiae em processos de natureza objetiva, especialmente naqueles que envolvam a discussão de direitos humanos dos trabalhadores.
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União