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DPU por Elas - Vozes que não se calam | Mulheres em espaços de liderança na Defensoria fortalecem atuação institucional com perspectiva de gênero

Brasília – Em uma instituição voltada à promoção de direitos e ao enfrentamento de desigualdades, a presença de mulheres em espaços de liderança tem contribuído para ampliar a diversidade de perspectivas e fortalecer a atuação institucional. Na Defensoria Pública da União (DPU), defensoras e servidoras em funções de chefia, coordenação e tomada de decisão vêm ajudando a consolidar práticas mais inclusivas.
Esse movimento aparece nos dados. De acordo com o relatório DPU em Números – Uma Questão de Gênero 2026, produzido pela Assessoria de Planejamento, Estratégia e Modernização (Asplan), houve crescimento no ingresso de mulheres na carreira entre 2021 e 2025 e participação importante em cargos comissionados. O levantamento mostra também que ainda há espaço para ampliar essa presença nos postos mais altos da estrutura: hoje, as mulheres correspondem a 43% do total da carreira, ocupam 20% das vagas na Categoria Especial e representam 22% dos assentos no Conselho Superior da DPU em 2025, com duas mulheres entre nove integrantes.
Presença feminina e transformação institucional
Na avaliação de algumas das lideranças da instituição, ampliar a presença feminina em cargos de decisão significa qualificar a gestão e aproximar, no plano interno, a prática institucional dos direitos que a DPU defende para o público externo e assistido.
Para Isabella Collmann, chefe de gabinete do defensor público-geral federal, essa representatividade é fundamental para que a instituição espelhe com mais fidelidade a diversidade da sociedade que atende. “Ser mulher em cargo de chefia ainda envolve desafios adicionais, muitas vezes marcados por jornadas múltiplas e responsabilidades invisibilizadas. Ampliar essa representatividade é promover equidade e qualificar as decisões institucionais”, complementa.
A coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) Cível da DPU, Maíra Mesquita, reforça que a presença feminina em cargos de liderança na Defensoria Pública qualifica a própria prestação da assistência jurídica. “Tem sido um caminho que estamos trilhando. É o reconhecimento de que as mulheres pertencem a esses espaços de decisão. Quando as mulheres lideram, ampliamos perspectivas, qualificamos a prestação da assistência jurídica e tornamos a instituição mais atenta às realidades diversas”, explica.
Já para a coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) Previdenciária da DPU, Patrícia Bettin, a presença de mulheres em espaços de liderança na DPU não é apenas uma questão de equidade interna. “Ocupar a coordenação da CCR Previdenciária é, para mim, também um ato de responsabilidade coletiva. A presença de mulheres em espaços de liderança na DPU reverbera na forma como a instituição enxerga e defende os direitos das pessoas que mais precisam dela. Quando uma mulher lidera, ela traz consigo a memória de quem foi, por muito tempo, excluída desses espaços”, aponta.
Na mesma linha, a defensora pública federal e secretária de Atuação no Sistema Prisional (SASP) da DPU, Gisela Baer, ressalta que a representatividade feminina também fortalece uma atuação com perspectiva de gênero. “A importância da representatividade feminina não se resume apenas à perspectiva democrática da representação, ou seja, à necessidade de espelhar a sociedade, já que metade da população é composta por homens e metade por mulheres. Ela também é fundamental para lançar luz sobre uma atuação com perspectiva de gênero”, diz.
Na Escola Nacional da Defensoria Pública da União (Enadpu), a vice-diretora Eliana Monteiro Staub Quinto destaca que a presença feminina em espaços de liderança fortalece a coerência entre discurso e prática institucional. “Não é apenas uma conquista estatística, mas uma força simbólica que redesenha o próprio futuro da instituição e inspira novas gerações a ocuparem os espaços que lhes são de direito. Uma instituição que defende os mais vulneráveis deve refletir, em sua estrutura, os valores de equidade que carrega como missão. Praticar internamente o que se defende para a sociedade não é opcional. É parte da própria identidade, da coerência e da legitimidade da DPU”, explica.
A defensora pública federal Liana Dani, coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres, destaca que a presença de mulheres em espaços de poder e decisão é fundamental para garantir decisões mais contextualizadas e sensíveis às desigualdades de gênero. “Isso parte do lugar de fala, onde mulheres têm experiências genuínas, únicas por serem mulheres, e trazem isso no meio da reflexão e da consideração de mais variáveis quando da tomada de decisão e de formulação de políticas públicas”, acrescenta.
A defensora pública federal Tarcijany Linhares Aguiar, membra eleita (biênio 2024/2026) do Conselho Superior da Defensoria Pública da União (CSDPU), também aponta que a representatividade feminina fortalece a qualidade da atuação institucional. “A presença de mulheres em espaços de liderança na DPU é essencial para fortalecer uma atuação mais diversa, sensível e comprometida com a realidade da população assistida. A representatividade feminina não é apenas uma questão de equidade, mas de aprimoramento institucional, pois amplia olhares, qualifica decisões e inspira outras mulheres a ocuparem esses espaços”, reflete.
Normativas que impulsionam a equidade
O fortalecimento da presença feminina na DPU também se expressa em normas e mecanismos voltados à ampliação da participação das mulheres em espaços de decisão.
Durante o evento “DPU por Elas”, realizado no dia 25 de março, a secretária-geral de Articulação Institucional da DPU, Karina Bayerl, destacou os impactos da Resolução Conjunta nº 02/2025, que trata da participação feminina nas ações itinerantes. “Essa medida representa um marco muito relevante ao reconhecer a importância da representatividade feminina nos espaços de atendimento e decisão, contribuindo para uma atuação mais plural, sensível e alinhada às demandas sociais”, disse Karina.
DPU por Elas: Promoção da Igualdade e Respeito às Mulheres
A resolução instituiu critérios de sorteio com alternância de gênero para ações itinerantes. Pela regra, caso o primeiro sorteado seja homem, a vaga seguinte é obrigatoriamente destinada a uma mulher, e vice-versa, conforme o formato da seleção. A iniciativa se soma à Portaria nº 404/2023, que determinou que a composição de grupos de trabalho observe distribuição regional e paridade de gênero, e à Resolução nº 215/2023, que estabeleceu políticas afirmativas de paridade na administração superior, garantindo igualdade na composição do Conselho Superior da DPU.
Os reflexos dessas medidas começam a aparecer em outros espaços da vida institucional. Nos eventos itinerantes, por exemplo, a participação feminina passou de 22% em 2024 para 33% em 2025, um aumento de 50% em um ano. Já nos grupos de trabalho, as mulheres responderam por 43% da participação em 2025, mantendo média de 46% entre 2021 e 2025, o que indica presença mais consolidada em áreas temáticas estratégicas da instituição.
Liderança feminina em áreas estratégicas da gestão
Em áreas historicamente menos associadas à presença de mulheres em cargos de comando, essa ocupação também ajuda a ampliar perspectivas e qualificar a atuação institucional.
Na Secretaria de Tecnologia da Informação (STI), a servidora e secretária Flávia Paz afirma que a presença feminina em posições de decisão contribui para tornar a inovação mais conectada com as necessidades reais da população. “Como mulher à frente da Secretaria de Tecnologia da Informação, entendo que ocupar cargos de chefia não é apenas uma conquista de espaço, mas um passo essencial para construir uma justiça mais inclusiva, diversa e eficiente para todos que buscam seus direitos”, comenta.
Na avaliação da secretária de Gestão de Pessoas, Joelma Feitosa, a ampliação da da presença de mulheres em cargos de liderança na DPU colabora para a construção de ambientes mais inclusivos. “É um movimento estratégico que fortalece a governança e qualifica a atuação institucional. No âmbito da gestão de pessoas, isso também significa construir ambientes mais inclusivos, seguros e equitativos, onde diferentes trajetórias possam se desenvolver”, opina.
Essa percepção também aparece na fala da assessora-chefe de Comunicação Social da DPU, Isabel Carvalho, para quem a presença de mulheres em cargos de chefia precisa ser entendida como transformação concreta. “A representatividade feminina em espaços de liderança é essencial, mas ela não pode ser só simbólica. A gente precisa ocupar esses espaços, permanecer neles e, principalmente, abrir caminho para outras mulheres”, diz.
Na Assessoria de Cerimonial e Eventos (Asce), Kátia Vial também chama atenção para os efeitos institucionais dessa participação. “Essa ação reflete não apenas a valorização da competência e da qualificação profissional das mulheres, mas também o compromisso com a equidade de gênero e com a construção de espaços mais justos. Nessas funções, essas profissionais enfrentam desafios históricos, ao mesmo tempo em que abrem caminhos para que outras mulheres também possam crescer e se destacar”, aponta.
Atuando na Assessoria de Integridade, Governança Executiva e Proteção de Dados (AIGEPD), Cláudia Teixeira avalia que a presença de mulheres nesses espaços amplia a sensibilidade institucional diante das diferentes realidades vividas por servidores e servidoras, assistidos e assistidas. “Além de efetivarmos a representação de mais de 50 % da população brasileira desde 2022, a presença feminina em cargos de liderança na DPU traz ao ambiente laboral maior sensibilidade com as várias realidades existentes, tanto com o público interno como o de assistidos, em face da respectiva empatia nata, trazendo à tona melhores resultados produtivos sem esquecer da atenção necessária à dignidade humana”, afirma.
Na Secretaria de Acompanhamento e Orientação da Gestão (SAO), Fernanda Barros também ressalta a importância da presença feminina nos espaços de decisão. “Na DPU, essa participação [feminina] contribui diretamente para a construção de soluções mais inclusivas e alinhadas às necessidades da sociedade. Ampliar esses espaços é também reconhecer trajetórias, enfrentar desigualdades e abrir caminhos para que mais mulheres ocupem posições de decisão. Trata-se de um avanço que qualifica a instituição e o serviço público como um todo”, diz.
Liderança e planejamento institucional
Na Assessoria de Planejamento (Asplan), a discussão sobre liderança feminina também aparece associada à formulação de respostas institucionais mais estruturadas diante de desigualdades persistentes vividas por mulheres. Para a assessora-chefe da área, Ana Carolina Costa, problemas complexos exigem planejamento, integração e compromisso contínuo, como ocorre no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Ao longo da minha trajetória no setor público, trabalhando com planejamento estratégico, governança e modernização institucional, aprendi que problemas complexos exigem respostas igualmente estruturadas. E a violência contra as mulheres é um desses problemas: ela não começa no ato extremo do feminicídio — ela é construída ao longo de uma cadeia de negligências, silêncios e falhas institucionais”, explica Ana.
A DPU entende que a ampliação da presença feminina em espaços de liderança não se resume à ocupação formal de cargos. Trata-se de uma construção institucional e política que ajuda a redefinir prioridades, fortalecer a escuta, ampliar a diversidade de perspectivas e consolidar uma cultura organizacional mais inclusiva e democrática. Em uma instituição comprometida com a justiça social, a dignidade e os direitos humanos, pluralizar os espaços de decisão também é fortalecer a própria coerência institucional.
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Defensoria Pública da União